Visita de Bolsonaro a Israel: Mandatários devem assinar acordos entre os dois países nas áreas de segurança pública, defesa, ciência e tecnologia e medicina


O presidente Jair Bolsonaro desembarcou neste domingo, 31, em Israel para uma visita presidencial de três dias. O avião brasileiro chegou ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, por volta das 10h do horário local (4h em Brasília), sob forte chuva.
Bolsonaro foi recebido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Esta é a quinta vez em seus 10 anos como premiê que o israelense participa da cerimônia oficial de chegada de um de seus convidados.
Em seu discurso durante o evento, o presidente brasileiro agradeceu seus anfitriões e afirmou em hebraico: “Eu amo Israel”. Ao final do pronunciamento, Bolsonaro voltou a repetir a frase, mas cometeu um erro e acabou dizendo algo sem sentido.
Ao lado de Netanyahu, o líder brasileiro disse ainda acreditar que as duas nações podem “alcançar grandes feitos” juntas e se referiu a Israel como “nosso Estado de Israel”.
“A amizade entre nossos povos é histórica, tivemos um pequeno momento de afastamento, mas Deus sabe o que faz e voltamos”, afirmou ao primeiro-ministro israelense, a quem chamou de “amigo” e “irmão”.
Após descer do avião, antes dos pronunciamentos, o presidente foi homenageado com honras militares e com o hino nacional. Ele também fez revistas das tropas da Guarda de honra israelense.
Bolsonaro foi recebido ainda dentro da aeronave presidencial pelo embaixador do Brasil em Israel, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos, e pelo chefe do cerimonial do governo do país anfitrião.
O presidente ficará hospedado em Jerusalém, próximo à Cidade Velha, onde estão alguns dos marcos turísticos e religiosos mais importantes do país. As ruas em torno do hotel foram decoradas com bandeiras do Brasil e de Israel para a ocasião.
Ainda neste domingo o presidente tem encontro marcado com o primeiro-ministro Netanyahu. Com o premiê devem ser discutidos temas relacionados a cooperação tecnológica e nas áreas comercial e de segurança.
A transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém deve ser abordada pelos israelenses, que esperam uma decisão do Brasil desde que Bolsonaro anunciou sua intenção de concretizar a mudança no ano passado.
Na quinta-feira 28 o presidente afirmou que, por enquanto, considera a instalação de um escritório de negócios na cidade santa, ao invés da transferência da embaixada. A hipótese da mudança, contudo, não foi totalmente descartada.
Bolsonaro viaja a Israel acompanhado dos ministros Ernesto Araújo, de Relações Exteriores; Marcos Pontes, de Ciência e Tecnologia; general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; general Fernando Azevedo e Silva, da Defesa; e almirante Bento de Albuquerque, de Minas e Energia.
Na lista aparecem também o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, o secretário de Agricultura e Pesca Jorge Seif e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Brigadeiro Raul Botelho.
Entre os congressistas que acompanham a visita estão o filho do presidente e senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o senador Chico Rodrigues (DEM – RR), a senadora Soraya Thronicke (PSL – MS) e a deputada federal Bia Kicis (PSL -DF).

Agenda

Neste domingo, Bolsonaro participará do encontro privado com Netanyahu. Após a reunião, os mandatários devem assinar acordos entre os dois países nas áreas de segurança pública, defesa, ciência e tecnologia e medicina, e conceder uma entrevista à imprensa. Está previsto ainda um jantar oferecido pelo premiê israelense.
Na segunda-feira, 1, o presidente visitará a Unidade de Contra-Terrorismo da Polícia israelense e participará de uma cerimônia de condecoração dos brigadistas que participaram das buscas em Brumadinho, após o rompimento da barragem da mineradora Vale.
Pela tarde, Bolsonaro deve ir à Igreja do Santo Sepulcro, onde, segundo a tradição, Jesus teria sido crucificado, sepultado e, ao terceiro dia, teria ressuscitado. Também visitará o Muro das Lamentações, em Jerusalém, um dos locais mais sagrados do judaísmo, acompanhado de Netanyahu.
Na manhã do terceiro dia de Bolsonaro em Israel, o presidente se encontrará com executivos de startups e abrirá um encontro empresarial Brasil-Israel. O presidente deve ainda visitar uma empresa que fabrica sistemas para carros autônomos, onde fará um passeio em um dos veículos.
O evento com executivos, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em parceira com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), reunirá cerca de 60 empresas brasileiras dos setores de construção civil, alimentos e bebidas, saúde, defesa e pescado. Com a presença de Bolsonaro e Netanyahu, será lançado um programa de atração de startups estrangeiras para o Brasil, o Scaleup in Brazil.
Durante a tarde, também haverá um almoço com a presença de Bolsonaro e rodadas de negócios entre compradores israelenses e as empresas brasileiras.
Durante as negociações, o presidente brasileiro visitará o memorial oficial para recordar as vítimas do Holocausto (Yad Vashem) e participará de uma cerimônia para o plantio de uma muda de oliveira no Bosque das Nações, em Jerusalém.
Bolsonaro retorna ao Brasil na quarta-feira, 3. Antes de embarcar, ele tem um encontro com brasileiros que residem na cidade israelense de Raanana, próxima a Tel Aviv.

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