Vacina contra rinite alérgica promete reduzir crises, mostra estudo



A vacina contra a rinite alérgica pode significar redução dos sintomas e tornar o sistema imunológico mais resistentes aos agentes alérgicos causadores: como poeira, ácaros, plantas, perfumes, entre outros.

Um estudo de 2016 feito pelo otorrinolaringologista Edmir Américo Lourenço, professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí, em São Paulo, concluiu que o uso contínuo da imunoterapia contra rinite foi capaz de eliminar as crises de espirro, coriza e coceira em 79% voluntários.

O estudo foi publicado no periódico International Archives of Otorhinolaryngology.

A técnica não é nova, mas há 30 anos, Américo Lourenço deu início à aplicação de vacinas terapêuticas feitas por ele mesmo em indivíduos com rinite alérgica.

Eficácia comprovada

Chamada de imunoterapia, a técnica surtia efeitos impressionantes. Mas como provar sua eficácia?

Em 2005, o otorrinolaringologista começou a recrutar pacientes e

submetê-los a um protocolo-padrão, como mandam as boas práticas da ciência. Dez anos depois, os resultados demonstram o que Lourenço suspeitava: 79% dos voluntários viram as crises de espirro, coriza e coceira sumirem de vez.

O médico selecionou 281 pacientes entre 3 e 69 anos — além de rinite alérgica, alguns sofriam de asma. Primeiro, submeteu essa gente a um teste de pele que identifica a quais componentes o indivíduo é sensível. Foram testados ácaro, fungo, pelo de animais, pólen e penas.

Medicamentos

A vacina que combate o problema é uma solução para acabar com o uso de remédios antialérgicos que causam sonolência e nem sempre surtem grandes efeitos.

De acordo com o alergologista Marcelo Vívolo Aun, do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, o método busca modificar aos poucos o sistema imunológico do paciente para que ele se torne mais resistente aos agentes que lhe causam alergia.

O medicamento deve ser aplicado pouco a pouco, durante meses ou mesmo anos. No começo, o paciente fará aplicações semanais da “vacina” com uma quantidade leve do princípio ativo. Caso não haja nenhuma resposta negativa, a fórmula é reforçada e a administração, reduzida, podendo chegar à frequência de apenas uma vez ao mês, explica o médico.

Tratamento

Em geral, os tratamentos podem durar de 1 a 5 anos e não curam a rinite, mas sim atenuam a sensibilidade do paciente ao agente causador da alergia, detectado por um exame prévio, fazendo com que a condição se torne completamente imperceptível com o tempo.

Durante o tratamento é fundamental o acompanhamento especializado, pois a vacina, feita a partir do agente causador da alergia, pode desencadear reações alérgicas locais e generalizadas.

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